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Abertura do QSP Summit 2026: apelos à internacionalização e alertas de Roubini sobre o excesso de regulação na Europa

O Palácio da Bolsa acolheu, no dia 30 de junho, a sessão de abertura da 19.ª edição do QSP Summit. Sob o mote “Leading the Future Economy”, o evento serviu de antecâmara aos dois dias de trabalho que se seguiram na Exponor e teve Nouriel Roubini como figura de cartaz.
Antes da conferência principal, Nuno Botelho saudou o regresso da maior conferência de marketing e gestão da Europa ao Centro Histórico do Porto e ao coração económico da cidade. “Tal como o Palácio da Bolsa, o QSP Summit traduz o espírito empreendedor dos portuenses e a sua vocação internacional”, registou o presidente da Associação Comercial do Porto – Câmara de Comércio e Indústria (ACP-CCIP).
Na sua intervenção, o dirigente apontou precisamente a via da internacionalização como um caminho essencial ao crescimento da economia nacional, assumindo que, perante o desafio da pequena escala, “a sobrevivência está em furar a barreira do território”.
Nuno Botelho lembrou que existe um “enorme campo de oportunidade” no mercado livre global e exortou as empresas da região a fazer “traduzir em valor económico”, quer a visibilidade recente que o Porto conquistou, quer o know-how e a qualidade dos seus produtos e serviços. “Não basta sermos bons. Temos de ser excelentes e parecer excelentes. E essa transição passa por saber construir marca, reputação e credibilidade global”, resumiu o líder da ACP-CCIP.
Reforçando a urgência desta mudança, o dirigente partilhou indicadores preocupantes: apenas 5,9% das empresas da região Norte têm atividade exportadora regular, o que significa que cerca de 130 mil organizações operam exclusivamente no mercado interno. Além do aumento da quota de exportação, Nuno Botelho defendeu também a necessidade de aumentar a escala das empresas, transitando de um ecossistema assente em micro e pequenos negócios familiares para um modelo de maior concentração empresarial. “As médias e grandes empresas concentram cerca de 80% do total de exportações da região”, exemplificou o presidente da ACP-CCIP.
Nouriel Roubini e o atropelo da Europa
Nouriel Roubini protagonizou o momento mais aguardado da cerimónia. O reputado economista norte-americano e colunista do New York Times fez uma análise cáustica ao panorama macroeconómico e alertou que a Europa corre o risco sério de ser “atropelada pelas superpotências económicas” se não concluir o mercado único e a união bancária.
“Costumava-se dizer que os EUA inovam, a Europa regula e a China copia. Agora [a China] não copia apenas, também inova”, ironizou o também professor da NYU, ilustrando o fosso económico transatlântico com um dado estatístico: nos últimos 50 anos, os EUA viram nascer 200 empresas com mais de 10 mil milhões de dólares de faturação; na Europa, esse número reduz-se a apenas 14. Perante esta realidade, Roubini desafiou os europeus a “libertar as empresas privadas” para que consigam acompanhar a revolução da Inteligência Artificial.
Otimismo sobre Portugal
Apesar do diagnóstico negativo sobre o continente, Nouriel Roubini mostrou-se otimista quanto ao caso português, classificando a economia nacional como “atrativa”. Já na fase de debate, o orador abordou diretamente a questão da imigração qualificada e dos nómadas digitais, considerando-os essenciais para injetar capital humano e transferir tecnologia num contexto de envelhecimento populacional.
Confrontado com os efeitos colaterais deste fluxo, designadamente o custo de vida para os jovens e o acesso à habitação, o convidado rejeitou liminarmente o bloqueio à entrada de estrangeiros. Em vez disso, defendeu a adoção de mecanismos fiscais: “É preciso atraí-los e, se há consequências, aplicam-se impostos e redistribui-se.”
A sessão de abertura do QSP Summit contou ainda com a participação do presidente da Câmara Municipal do Porto, Pedro Duarte, e de Rui Ribeiro, CEO e fundador da consultora QSP. No painel de discussão, o antigo ministro da Economia, Pedro Reis, partilhou o palco com Nouriel Roubini para debater os desafios da atratividade do investimento estrangeiro. O encerramento da cerimónia institucional ficou a cargo do ministro adjunto e da reforma do Estado, Gonçalo Matias.


