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Passado, presente e futuro das relações entre Portugal e Macau em destaque na abertura da exposição de Rui Ochoa
Macau: Os Últimos Dias da Administração Portuguesa é o título de uma exposição fotográfica de Rui Ochoa, que regista os momentos que antecederam a transferência de soberania sobre o território macaense, em 20 de dezembro de 1999. Promovida pela Fundação Jorge Álvares, no âmbito dos 25 anos sobre este acontecimento, a mostra foi inaugurada no passado dia 18 de dezembro e vai estar disponível no Palácio da Bolsa até 21 de fevereiro de 2026.
Na sessão de apresentação, Nuno Botelho elogiou o trajeto da Fundação Jorge Álvares e destacou “o trabalho tão singular” que representa a preservação dos laços históricos entre Portugal e Macau. O anfitrião felicitou também Rui Ochoa, cujo “talento e competência” permitiram registar um “acontecimento marcante” da história contemporânea portuguesa.
Considerando a presença portuguesa em Macau, primeiro “um ato de coragem”, depois “um exemplo de compromisso e diplomacia”, Nuno Botelho sublinhou o respeito que pautou a governação nacional daquele território ultramarino durante mais de quatro séculos e elogiou “o exemplo de integração, diálogo e diversidade sociocultural” que a mesma representou.
Para o presidente da ACP-CCIP, esta boa convivência com o povo macaense e a transição de soberania “exigente, mas pacífica” permitiram que Portugal “continue a ser visto como um parceiro relevante na Região Administrativa Especial e que, entre outros fatores, a nossa língua se mantenha como elemento identitário do território”. “Por tudo isso”, acrescentou Nuno Botelho, “é importante assinalar estes acontecimentos e manter viva a memória de um tempo marcante para Portugal”, elogiando a iniciativa de realizar esta exposição.
Maria Celeste Hagatong, presidente da Fundação Jorge Álvares e, ela própria, descendente de macaenses, mostrou “enorme satisfação” por concretizar a apresentação desta exposição no Porto – a primeira iniciativa desta organização na Invicta.
A responsável recordou aos presentes a história da Fundação, que até 2022 foi sempre presidida por ex-governadores de Macau, e esclareceu que a sua principal missão é “preservar e dinamizar as relações entre Portugal e China através de Macau”. “Fizemos diversas iniciativas ao longo destes 25 anos, que representaram um esforço superior a 5 milhões de euros”, transmitiu Celeste Hagatong, citando a criação da biblioteca, a reunião dos arquivos pessoais dos antigos governadores de Macau, o patrocínio a mais de 400 publicações e a atribuição de diversas bolsas de estudo.
“Somos a única organização deste género que reúne portugueses, chineses e macaenses, dando a possibilidade de colaborar de forma mais estreita no cumprimento da nossa missão”, reforçou a presidente, que antecipou a próxima iniciativa da organização: o lançamento do Prémio General Rocha Vieira – Amizade Portugal China, no valor de 25 mil euros e que se destina a apoiar projetos nacionais ou estrangeiros que contribuam para promover as relações diplomáticas entre Portugal, China e Macau.
O evento no Palácio da Bolsa contou, ainda, com a intervenção do antigo embaixador, Pedro Catarino – atual representante da República Portuguesa nos Açores – que foi uma peça-chave nas negociações da transferência de governo em Macau.
Foi também apresentado o livro Macau: a última transição — Vasco Rocha Vieira (1991–1999), da autoria do professor e historiador, Alfredo Gomes Dias, que retrata o trajeto do último governador português naquela região.
22 de Dezembro 2025


