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Jantar anual de sócios 2026: Nuno Botelho defendeu “força vital” da região e Pedro Duarte “coragem para tomar decisões”
Pedro Duarte, presidente da Câmara Municipal do Porto eleito em outubro passado, foi o convidado especial do jantar anual de associados da Associação Comercial do Porto (ACP-CCIP), que se realizou esta quarta-feira, 13 de maio, no Palácio da Bolsa. Após a receção protocolar na biblioteca, o autarca foi anunciado por Nuno Botelho como o mais recente sócio individual da instituição, no arranque do discurso do presidente da ACP-CCIP.
Com um Salão Árabe preenchido, o anfitrião começou por sublinhar a importância simbólica deste evento anual, enquanto ponto de encontro de protagonistas que “valorizam a cooperação institucional, o trabalho em rede e a articulação entre os diferentes setores”. Associando a força do Porto e Norte a valores “comunitários e sociais”, e a uma atitude de quem “não espera que sejam os outros a resolver os problemas”, Nuno Botelho lembrou as principais instituições da cidade e identificou-as como a “a força vital da região”, que contrasta com o que considera ser “a apatia da sociedade civil no resto do país”.
Dirigindo-se ao convidado, o líder da ACP-CCIP defendeu que o tecido cívico local e regional merece ser “defendido com denodo e com firmeza”, elogiando a “capacidade de diálogo” de Pedro Duarte e a convicção de que “estará ao lado das instituições” e disponível para responder às suas reivindicações.
Na mesma linha, Nuno Botelho lembrou a “coragem e o desassombro” já demonstrados pelo novo autarca portuense na defesa da regionalização. E aproveitou esta reunião de associados para renovar o repto, em defesa daquela que considera ser “a verdadeira reforma estrutural do Estado e a única capaz de afirmar o Norte do país no quadro internacional, sem estar condenado a ser um dos territórios mais pobres e mais desiguais da Europa”.
A este propósito, Nuno Botelho lembrou a disparidades económicas que continuam a prejudicar o Norte, região que é responsável por cerca de 30% do PIB nacional e 35% das exportações, mas tem um PIB per capita 14 pontos inferior à média nacional. “Foi a este Estado, profundamente assimétrico e desigual, que cinco décadas de centralismo político nos conduziram”, acrescentou o anfitrião, considerando que existe “perfeita legitimidade” para exigir a criação das regiões administrativas em Portugal.
Somando a esta causa outras “grandes prioridades” locais, como o Aeroporto do Porto, a ferrovia de alta-velocidade e a modernização do porto de Leixões, Nuno Botelho concluiu a sua intervenção com a garantia de que a Associação Comercial continuará a ser “parceiro ativo na defesa dos legítimos interesses da região” e “a grande promotora” da cooperação institucional na cidade do Porto.
A Associação que “representa o carácter da cidade”
Pedro Duarte retribuiu os elogios e considerou a ACP-CCIP como entidade que “melhor representa o verdadeiro carácter da cidade”, assumido pela autarca como o de uma cidade que “gosta de ser independente, liberal, rebelde, empreendedora”.
Vendo na Associação Comercial “uma inspiração” para o seu trabalho, o presidente da Câmara Municipal do Porto indicou os quatro pilares estratégicos que têm dominado o trabalho do seu Executivo e que vão nortear este mandato: proximidade; decisão; execução e afirmação.
No primeiro ponto, Duarte definiu a proximidade como uma “nova forma de estar na política” em resposta ao que identifica como alteração estrutural “na relação das pessoas com o poder”. O objetivo, na perspetiva do convidado, é tornar o Porto num “tubo de ensaio” político, onde se estabeleça uma “relação muito próxima e direta com as pessoas, falando a verdade e sem populismos”. Essa postura, segundo o autarca, será a melhor resposta para “contrariar modelos mais negativos e confrontacionais” que têm vindo a conquistar força eleitoral.
No segundo pilar, o antigo governante mostrou-se crítico da ideia que prevalece na política e no setor público de que “o mais confortável é não decidir”. “No curto prazo, é o que rende mais. Não compramos controvérsias, nem polémicas, não desiludimos ninguém”, assinalou Pedro Duarte, assumindo a necessidade de haver “coragem para decidir” porque o contrário “não é bom para a cidade”. Assim, e a título de exemplo de um conjunto de decisões já assumidas, o líder do Município recordou a eliminação de portagens na CREP, o término das obras à superfície na linha rosa do Metro do Porto, a medida dos transportes públicos gratuitos ou o reforço da fiscalização a projetos urbanísticos, que já resultou em 22 obras embargadas.
Em matéria de execução – o terceiro vértice de atuação – Pedro Duarte destacou a questão da segurança como aspeto fundamental do seu projeto para a cidade. Reconhecendo que o Porto “compara bem nesta matéria com qualquer cidade europeia”, assumiu, no entanto, que há focos de criminalidade associados ao tráfico de droga e que são “perturbadores da vida quotidiana”. A solução, reforçou, é crescer em policiamento de proximidade, algo que estará assegurado com a entrada de novos efetivos, quer na PSP; quer na força municipal.
Ainda no mesmo ponto, o convidado apontou para a mobilidade e para a resolução do obstáculo que a VCI representa, salientando que, em reunião recente com o primeiro-ministro, foi possível obter “luz verde” a dois projetos estruturantes: a criação de uma nova “circular” que complemente a CREP e a VCI, além da resolução do Nó de Francos com o aterro da avenida AEP.
Diretamente relacionado com este ponto, Pedro Duarte assinalou o desenvolvimento económico como o fator-chave do eixo futuro. O autarca referiu que, também na sequência do encontro com Luís Montenegro, foi lançado o projeto de reconversão do polo industrial de Ramalde no “Distrito Empresarial do Porto”, cuja concretização será a oportunidade de reinventar a economia local, diversificar as áreas de atividade e reter talento qualificado.
14 Maio 2026


