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Conversas na Bolsa: Fernando Silva defendeu inovação, ética e liderança como aspetos críticos nas empresas
A Associação Comercial do Porto recebeu, no dia 19 de setembro, Fernando Silva, presidente do Conselho de Administração da Siemens Portugal e responsável também pela operação da tecnológica em Espanha, para mais uma sessão do ciclo Conversas na Bolsa.
No centro da sua intervenção esteve a inovação, entendida não apenas como investigação e desenvolvimento, mas sobretudo como a capacidade de transformar ciência em produtos escaláveis. Recordou que, na última década, a Siemens investiu 30 mil milhões de euros em software, dedica anualmente 6,3 mil milhões a I&D e gera cerca de 13 patentes por dia útil de trabalho. “O que nos distingue é transformar patentes em negócios”, sublinhou, destacando tecnologias de base como inteligência artificial, cibersegurança, conectividade, digital twins e semicondutores.
Fernando Silva defendeu ainda que o excesso de regulação na Europa pode travar, precisamente, o acesso à inovação e comprometer a competitividade no setor business to business. “Não precisamos de mais regulação. O consumidor, sim, deve ser protegido, mas nas relações entre empresas já existe enquadramento suficiente para garantir confiança e acelerar a inovação”, afirmou, lembrando o exemplo do desenvolvimento das vacinas contra a Covid-19, que foi possível graças à partilha de dados entre empresas.
Num segundo plano, o gestor destacou a ética empresarial como obrigação das organizações. “Não podemos pensar que o problema está sempre na falta de ética política. As empresas têm a sua quota-parte de responsabilidade e a obrigação de atuar com rigor e responsabilidade a todos os níveis, antes de cobrar ao Governo”, defendeu.
A liderança participativa e inclusiva foi outro dos temas centrais. Fernando Silva sublinhou que as chefias devem estar próximas das equipas: “Quanto mais subimos, mais próximos devemos estar das bases”. Uma cultura de diversidade e integração, aliada à formação contínua, foi apresentada como condição para atrair talento e garantir competitividade.
Para concluir, deixou uma mensagem de confiança relativamente ao futuro do país. Portugal, disse, tem condições para ser um player relevante no setor da energia, explorando o potencial das renováveis, do hidrogénio e das comunidades energéticas. “A energia é o elemento central de todas as atividades económicas e pode ser a nossa maior oportunidade de liderança internacional.”
Pode ouvir a conferência, na íntegra, através da reportagem realizada pela Renascença, parceira de media das Conversas na Bolsa.


